O câncer do colo do útero continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil, mesmo sendo uma doença altamente prevenível. Atualmente, cerca de 19 mulheres morrem todos os dias no país em decorrência desse tipo de câncer, segundo dados de especialistas e entidades médicas — um número que poderia ser drasticamente reduzido com prevenção adequada.
Com base em dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e de sistemas oficiais de informação em saúde, analisados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), esse é o câncer que mais mata mulheres jovens até os 36 anos e o segundo mais letal até os 60 anos no Brasil.
O que é o câncer do colo do útero?
O câncer do colo do útero é uma doença que se desenvolve na parte inferior do útero, região conhecida como colo uterino, que faz a ligação entre o útero e a vagina. Na maioria dos casos, ele surge de forma lenta, a partir de alterações nas células do colo, que podem evoluir ao longo de anos até se transformarem em câncer.
O grande diferencial desse tipo de câncer é que ele passa por fases iniciais detectáveis, chamadas de lesões precursoras, que podem ser identificadas e tratadas antes de se tornarem um câncer propriamente dito.
O que causa o câncer do colo do útero?
A principal causa do câncer do colo do útero é a infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), um vírus sexualmente transmissível extremamente comum. A maioria das pessoas terá contato com o HPV em algum momento da vida e, na maior parte dos casos, o próprio organismo elimina o vírus espontaneamente.
O problema ocorre quando a infecção persiste por muitos anos, podendo provocar alterações celulares progressivas, que, sem acompanhamento, evoluem para câncer.
Por isso, estratégias como vacinação contra o HPV e exames de rastreamento regulares são fundamentais para reduzir o risco da doença.
Incidência do câncer do colo do útero no Brasil
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 17 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano no período de 2023 a 2025.
As maiores taxas da doença ocorrem nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, evidenciando desigualdades importantes no acesso à:
vacinação contra o HPV
rastreamento com exame preventivo
diagnóstico e tratamento precoces
Essas diferenças explicam, em parte, por que tantas mulheres ainda morrem diariamente por uma doença evitável.
Exame de rastreamento: como identificar o câncer do colo do útero precocemente?
O exame chamado de colpocitologia oncótica, conhecido como Papanicolau ou Preventivo, é uma das principais ferramentas para identificar lesões precursoras do câncer do colo do útero, muitas vezes antes do surgimento de qualquer sintoma.
Atualmente, o teste molecular para pesquisa de HPV vem sendo incorporado gradualmente ao rastreamento por apresentar maior sensibilidade na detecção do vírus. Ambos os métodos são eficazes — o mais importante é não deixar de realizar o rastreamento conforme orientação médica.
Vacina contra o HPV: quem deve tomar?
A vacina contra o HPV é segura, eficaz e capaz de reduzir de forma significativa o risco de desenvolver câncer do colo do útero e outras doenças associadas ao vírus.
No SUS, a vacinação é indicada para:
meninas e meninos de 9 a 14 anos
jovens de 15 a 19 anos, em estratégias de ampliação e resgate
A vacinação antes do início da vida sexual oferece maior proteção e impacto na redução da doença a longo prazo.
Sintomas do câncer do colo do útero: quando procurar um médico?
Nas fases iniciais, o câncer do colo do útero pode não apresentar sintomas, o que torna o exame preventivo ainda mais importante. Em fases mais avançadas, alguns sinais merecem atenção:
sangramento fora do período menstrual
sangramento após a relação sexual
dor pélvica persistente
corrimento vaginal anormal
Diante de qualquer um desses sintomas, é fundamental procurar avaliação ginecológica.
Como prevenir o câncer do colo do útero?
A prevenção do câncer do colo do útero se baseia em três pilares fundamentais:
Vacinação contra o HPV
Exame preventivo regular (Papanicolau ou teste de HPV)
Acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento
Quando essas estratégias funcionam de forma integrada, a mortalidade pela doença cai de maneira expressiva.
Informação, prevenção e cuidado salvam vidas
Falar sobre prevenção, incentivar a vacinação e manter os exames em dia são atitudes simples que salvam vidas e evitam tratamentos complexos no futuro.
Cuidar da saúde ginecológica é um ato de prevenção, autocuidado e respeito com o próprio corpo.
Dra. Paula Amarante